Mitos

O vinho está repleto de mitos, proibições e tabus, certezas e incertezas. A linguagem do vinho já é por natureza complicada, com adjectivos e um discurso nem sempre compreensível. Os mitos encarregam-se de adicionar ainda mais ruído e perturbação à dificuldade de comunicação. São novas e velhas crenças, histórias passadas de geração em geração, interpretações defeituosas da realidade. Mitos antigos e modernos. Muitos estão tão enraizados no imaginário popular que acabaram em certezas absolutas difíceis de contrariar. Eis algumas das histórias mais comuns.

Quanto mais velho melhor

A maioria dos vinhos foi pensada para serem consumidos num prazo de tempo relativamente curto. A maioria dos vinhos rosé tem um período de vida útil de um ano, os brancos de dois anos, os tintos entre quatro a cinco anos. Não espere pois demasiado tempo para abrir as suas garrafas. Os poucos vinhos pensados para durar anos, décadas, são vinhos excepcionais… e, infelizmente, por regra são muito caros.

Um “Reserva” será melhor que um vinho “normal”. As palavras “Reserva”, “Colheita Seleccionada” ou “Garrafeira” são uma garantia de qualidade

A adjectivação não está directamente relacionada com a qualidade do vinho, determinando antes o período mínimo de estágio em garrafa e/ou barrica. Indicações como “Colheita dos Sócios”, “Colheita Seleccionada”, “Selecção Especial”, “Reserva Pessoal” ou outras referências são mensagens sem qualquer vínculo legal e sem associação directa com a qualidade do vinho.

Um vinho DOC (Denominação de Origem Controlada) será necessariamente melhor que um vinho “Regional”

Não necessariamente. Para que um vinho tenha o direito de ostentar o nome de uma denominação de origem controlada terá de obedecer a regras claras, nomeadamente quanto ao uso das castas autorizadas e recomendadas para essa mesma DOC. Basta que um produtor recorra a castas não contempladas para essa mesma região, mesmo que melhores, para ficar impedido de usar o nome da denominação.

Vinho de Mesa é sinónimo de vinho mau

A qualidade do Vinho de Mesa é com frequência pouco entusiasmante e raramente merece grandes considerações. Existem no entanto excepções e por vezes o Vinho de Mesa pode ser de qualidade excepcional.

Vinhos mais caros são melhores

Num mercado livre o preço dos vinhos é determinado não só pelos custos de produção mas também pela sua escassez, pela moda, pelo empolamento feito pela comunicação social, por boas campanhas de promoção.

O vinho branco não consegue envelhecer e tem de ser bebido o mais depressa possível

Os vinhos brancos pensados para serem envelhecidos são relativamente raros mas existem exemplos vivos de vinhos que envelhecem de forma admirável. Os vinhos da casta Alvarinho, da casta Encruzado e da casta Bical e das regiões mais latas do Douro são os melhores exemplos portugueses.

O vinho rosé é uma mistura de vinho branco com vinho tinto

O vinho rosé é elaborado exclusivamente com uvas tintas. Só o vinho palhete pode ser elaborado de um lote entre uvas tintas e uvas brancas. Os vinhos rosados passam pouco tempo em maceração com as peles e como tal não têm espaço para extrair muita matéria corante. O vinho resultante frui assim de uma cor mais aberta e rosada.

Os verdadeiros grandes vinhos não sabem bem enquanto são jovens e só melhoram com a idade

Não acredite nisso! Os grandes vinhos são soberbos desde a nascença e não se transformam por milagre tardio. Um mau vinho nunca se transformará num bom vinho.

O bom vinho é o vinho do lavrador. Os outros estão cheios de químicos e outras coisas esquisitas

Raramente assim é, e só por milagre tal poderia acontecer. Na verdade, a maioria dos vinhos de lavrador está carregada por uma série de defeitos bacteriológicos. O vinho é um produto alimentar que deve seguir normas de higiene precisas e severas e que não recebe aditivos, corantes ou conservantes artificiais.

Os vinhos mais velhos devem ser sempre decantados

Por estranho que pareça é mais importante decantar os vinhos jovens enquanto jovens que na fase adulta. Os vinhos mais velhos, pela sua extrema fragilidade, raramente aguentam o choque da decantação. Quando o vinho criou depósito, mesmo no caso de vinhos velhos, não há alternativa possível à decantação do vinho.

O depósito é um defeito?

Não, o depósito representa um processo natural da precipitação sendo absolutamente inofensivo. Os vinhos brancos também podem apresentar depósito sobre a forma de tartaratos, pequenos cristais brancos que se assemelham a pedaços de vidro ou grãos de açúcar.

O depósito na garrafa é sinal de qualidade?

Não, significa apenas que o vinho não foi filtrado de forma agressiva. Nada assegura sobre a existência, ou falta de qualidade do vinho.

Quando abro um vinho devo deixar o vinho respirar retirando a rolha uma hora antes de ser servido

Apesar de ser uma prática recorrente não tem qualquer utilidade. A superfície em contacto com o ar é tão limitada para o volume a oxigenar que os resultados práticos são inexistentes. A única alternativa válida será a decantação do vinho.

As lágrimas no copo são um indicador de qualidade

A formação de lágrima é irrelevante e não retrata nenhum indicativo de qualidade. Quanto maior o teor alcoólico e/ou de açúcar maior será a tendência para a criação de lágrimas. Por outro lado o tipo de detergentes usados na lavagem dos copos pode induzir ou inibir o aparecimento da lágrima.

Depois de aberto o vinho transforma-se em vinagre

Eventualmente, mas esse é um processo moroso que só poderá acontecer após um longo período de tempo de garrafa aberta. Depois de abertos os vinhos oxidam e é esse o sintoma e o defeito detectado.

O vinho tinto é benéfico para a saúde o vinho branco não

Não existem provas científicas que sustentem essa afirmação. Evidentemente que consumido em excesso o vinho será sempre prejudicial.

O peixe deve ser harmonizado com vinho branco e a carne com vinho tinto

A harmonia entre comida e vinho depende não só da matéria-prima mas também da forma como é cozinhada. Um peixe grelhado necessita de um acompanhamento distinto de um peixe assado, da mesma forma que um bife de atum tem uma textura diferente de um lombo de peixe-galo.

O queijo deve ser acompanhado pelo vinho tinto ou por Vinho do Porto

Depende do queijo e dos gostos pessoais. Com queijos de pasta mole, os mais comuns em Portugal, o vinho branco proporciona harmonias mais consistentes e mais felizes. A acidez natural do vinho branco contrasta melhor com a gordura dos queijos de pasta mole… e com muitos outros queijos.
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